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Entrevistas

Entrevista com o juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e autor do livro “Concurso para a magistratura: guia prático” (Editora Jus Podivm). Luiz Otávio Rezende.

O livro inédito prepara candidato para fases obrigatórias do concurso de juiz por meio de entrevistas, obra mostra como é o trabalho de magistrados pelo país.

Ser juiz é o sonho de muitos que optaram pela área do direito. Já ajudar as pessoas a realizar esse desejo é a meta de Luiz Otávio Rezende, autor do livro Concurso para a magistratura: guia prático (Editora Jus Podivm, 248 páginas, R$ 49,90). A obra promete desvendar as cinco fases do certame de acordo com as determinações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas seu grande diferencial é ter sido escrita do ponto de vista do examinador. Luiz Otávio, 33 anos, que é juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) desde os 28 e participou de bancas avaliadoras em concursos para diferentes tribunais. Apaixonado pela profissão, ele acredita que o setor precisa de “juízes novos, ágeis e sensíveis às necessidades da população” e espera que o livro ajude os profissionais mais preparados a ingressarem na carreira.

Disponibilizado no site da editora na última segunda-feira (13/10), 250 cópias do livro foram vendidas em três dias. A venda nas livrarias começa em novembro. Ricardo Didier, editor do livro, defende que o material é inédito no mercado. O texto é baseado na resolução do CNJ que, em 2009, padronizou os concursos de magistratura no Brasil.

De acordo com o autor, graças a essa medida, foi possível escrever um livro que prepara o candidato para qualquer seleção para o cargo de juiz. “Antes os tribunais tinham ampla liberdade para fazer a prova como quisessem, mas agora são obrigados a respeitar as cinco
fases obrigatórias”, explica. Dessa forma, o livro apresenta, de maneira didática, as regras determinadas pelo CNJ para as provas objetiva e discursiva e as avaliações física e psicológica, além da prova oral e de títulos. Outro destaque são as orientações práticas
para a preparação do candidato. “Elas vão desde o simples aviso ‘leia o edital’ até dicas de roupas mais adequadas para a prova oral”, exemplifica Luiz. O capítulo de abertura do livro se chama “Você realmente deseja ingressar na carreira de magistratura?”. Luiz explica que o
intuito é que, antes de começar a se preparar para o concurso, a pessoa reflita se a profissão realmente se adequa ao estilo de vida dela. “É uma carreira belíssima, mas também desafiante e que exige muito do profissional”, afirma. Entrevistas - No último capítulo, o livro traz nove
entrevistas com juízes de tribunais de diferentes atuações, contando histórias pessoais sobre o exercício da carreira e a trajetória de cada um até ser aprovado no certame. “Eu pensei em diversos perfis de candidatos que prestam o concurso e procurei juízes que se assemelhassem a essas pessoas”, explica Luiz Otávio Rezende. Ele dá exemplos de magistrados que buscaram primeiro se aprimorar na carreira acadêmica, filhos de juízes que sofreram a pressão de seguir a tradição da família e pessoas que superaram muitas dificuldades.
Na opinião do autor, essa é a parte do livro que mostra a sensibilidade da magistratura e humaniza a figura do juiz.

“São relatos belíssimos de pessoas que vieram de famílias mais simples e tiveram que se esforçar muito. Mas todos chegaram aqui com as próprias pernas.” Luiz acredita que dar oportunidade a todos é o grande mote do concurso público. “Eu procurei histórias que inspirassem os outros porque tenho a percepção de que todos podem ser juízes; basta vontade e dedicação.”

Qual a diferença entre seu livro e outros materiais preparatórios para concurso?

Luiz Otávio - Os livros de concurso, em geral, focam no conteúdo da prova, com questões resolvidas e comentadas. Este livro basicamente mostra quais são as fases do concurso, as regras de cada fase e a posição do CNJ e do STJ sobre as ações da banca examinadora. Ele é mais amplo, fala dos percalços do exercício da profissão, além das entrevistas, que mostram o lado pessoal da vida do juiz e humanizam a carreira.

Qual a vantagem de um livro escrito por um membro da banca avaliadora?

Luiz Otávio - Mostrar os dois lados do concurso. Eu também passei pela prova e tive que me preparar. É um concurso longo, uma verdadeira maratona física e mental. Sobre essa experiência existe um capítulo que orienta a organização dos estudos. Mas, quando você é examinador, está do outro lado, e vê toda a angústia do candidato e a vontade que ele tem de passar.

Existem regras estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça que orientam as bancas examinadoras e o livro é isto: ele traz as regras do jogo. Para quem o livro é indicado?

Luiz Otávio - Aos candidatos à magistratura e aos estudantes de graduação de direito que procuram se aprofundar sobre a carreira. Mas também aos leigos, curiosos que queiram entender mais sobre a profissão de juiz. Mesmo em processos, eu sempre procurei escrever de maneira simples, porque não são só advogados que leem, mas as pessoas envolvidas também.
Por isso, a linguagem do livro é muito acessível.

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