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Entrevistas

Entrevista com Luiz Flávio Gomes da Silva – Professor de Direito e Fundador da rede de cursos preparatórios LFG.

Doutor em Direito penal pela Universidade Complutense de Madri, mestre em Direito Penal pela USP. Foi promotor de Justiça (1980 a 1983), juiz de Direito (1983 a 1998) e advogado (1999 a 2001), diretor-presidente da Rede de Ensino LFG, que opera dentro do Grupo Anhanguera a área de graduação à distância. A rede LFG é pioneira mo ensino telepresencial no Brasil e especialista no mercado de cursos a distância também em pós-graduação e preparatórios para concurso público e para o exame da Ordem dos advogados do Brasil.


1- A TARDE - Uma pequena fatia do total de candidatos inscritos em concursos públicos – apenas 5%, segundo estimativas da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac) – busca algum tipo de curso preparatório. Matricular-se em cursinhos para concursos encurta o caminho até a aprovação?

LFG – Sim. O aluno que estuda sozinho lê muita coisa inútil, muita informação desatualizada. O curso preparatório tem a finalidade de delimitar o que é efetivamente mais útil para um determinado concurso público. Quem estuda sozinho corre o risco de perder muito tempo com coisas desatualizadas.


2- A TARDE – Porque o método telepresencial difundiu-se tão rapidamente entre cursos preparatórios para concursos públicos?

LFG – Por vários motivos. O telepresencial otimiza matéria e conteúdo. O aluno não interrompe a aula. Em segundo lugar, porque os alunos não têm condições de se deslocar até as capitais para fazer um curso presencial. O aluno que está em cidade do interior depende muito de informação que chega até ele. A introdução do sistema via satélite permite a democratização da informação. Isso facilitou muito a difusão e o aumento da qualidade do ensino. O professor que é capaz de dar uma aula para 5 a 6 mil pessoas ao mesmo tempo é um profissional altamente gabaritado. Encontra muitos professores bons em diversas áreas é uma dificuldade enfrentada pelos cursos preparatórios presenciais.


3- A TARDE – Quais são os critérios que devem orientar o candidato na escolha de um bom curso preparatório para concursos?

LFG – O critério primordial é quem passa ao aluno maior quantidade de informação precisa. O aluno tem que se preocupar com a qualidade da informação. O curso pode ser telepresencial ou presencial. Os cursos baseados apenas na internet ainda não são muito difundidos e não prosperam no Brasil porque o bom aproveitamento exige muita disciplina por parte do aluno. Nos cursos telepresenciais, o aluno precisa ir até a escola. Essa obrigação diária faz com que o candidato fique conectado o tempo inteiro com o seu objetivo pessoal. Isso otimiza o estudo e facilita o ingresso do aluno no cargo público que ele escolheu.


3- A TARDE – Cursos preparatórios, livros, apostilas, acessos a sites especializados que cobram assinatura. Tudo isso demanda investimentos de tempo e dinheiro. É possível conciliar a manutenção do emprego com o estudo para concursos?

LFG – Sim, é possível conciliar emprego e concursos. Mas quem está empregado demora mais tempo para passar, pois dedica menos horas aos estudos. O ideal é se preparar e só fazer isso, mas muita gente não pode escolher essa alternativa. É um privilégio para poucos. É preciso saber conciliar as duas coisas. Exige muita organização e disciplina. O candidato não pode perder tempo. É preciso dedicar o máximo de tempo aos estudos.


4- A TARDE – Qual o segredo para manter esta dedicação? Existe alguma receita pronta?

LFG – A premissa número um é estabelecer um objetivo certo na vida. Em segundo lugar vem a motivação. É necessário manter-se permanentemente motivado. O sucesso só depende do aluno. O professor leva a informação, mas a diferença quem faz é o aluno.


5- A TARDE – Alguns autores e especialistas em concursos defendem que é importante investir em seleções intermediárias onde a aprovação é mais fácil. Com o emprego garantido, fica mais fácil manter a motivação para conquistar oportunidades que oferecem vencimentos que podem ultrapassar a faixa dos R$ 10 mil. O senhor concorda com essa estratégia?

LFG – Concordo. Ela é interessante porque muitas vezes o aluno não tem condições de pagar o curso sem trabalhar. Ele depende de uma ocupação intermediária para alcançar seu objetivo. Ademais, é preciso computar não apenas o aspecto financeiro, mas também o exercício da função pública. Toda atividade pública é sempre um estágio de aprendizado. Aprende-se muita coisas e ganha-se espírito público. É uma estratégia muito recomendável.


6- A TARDE – Quais são os erros mais comuns cometidos por concurseiros iniciantes?

LFG – Um erro muito comum é querer passar e não estudar. É preciso disciplina. É preciso estudar. Outro erro é estudar por conteúdos desatualizados. Isso prejudica muito o aluno.


7- A TARDE – Alguns concursos chegam a atrair mais de 300 mil pessoas. O candidato que aprende a estudar, que procura um curso preparatório e recebe informação atualizada precisa se preocupar com a concorrência?

LFG – O que computa em um concurso público não é a quantidade de inscritos, mas a qualidade da concorrência. Qualidade significa os melhores, os mais capacitados. A margem de pessoal bem preparado é muito pequena. O concurseiro acaba concorrendo com ele mesmo e não com os outros. É a preparação que faz a diferença.


8- A TARDE – Por diversas vezes, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou o entendimento de que o candidato classificado dentro do número de vagas estabelecido no edital tem direito à nomeação. O que mais pode ser feito para dar transparência e seriedade ao concurso público?

LFG – Precisamos de uma lei que regulamente toda atividade de concurso público. Recentemente foi lançada uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) regulamentado os concursos para juízes. Teremos, também, uma resolução para regulamentar os concursos do Ministério Público. Mas isso não é suficiente. Precisamos de uma lei que regulamente todos os direitos do concursando. De fato, ainda há muito abuso.

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