Ilhéus – uma cidade literária
A cidade de Ilhéus é uma das poucas no mundo em que se observa características que a singularizam: belezas naturais, a condição de Capitânia Hereditária (próxima dos 500 anos), os ciclos econômicos da cana de açúcar e do cacau. Circunstâncias e fatos que se tornaram matéria-prima para escritores e pesquisadores, responsáveis por inundarem nossas imaginações de estórias e personagens, que reverberam para a imagem da Princesinha do Sul no Brasil e no exterior, atraindo pessoas dos mais diferentes lugares para conhecerem as múltiplas facetas da literatura no sul da Bahia. Esse conjunto de elementos potencializa Ilhéus para ser reconhecida na categoria de cidade criativa da literatura, conforme escopo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
No Brasil, algumas cidades buscaram ser referência internacionalmente no campo da cultura. Por exemplo, o município de Salvador produziu seu dossiê e estabeleceu quais compromissos poderiam ser efetivados no âmbito da música, e, após avaliação da Unesco, passou a integrar a lista de cidades criativas em 2015 e a Casa da Música foi um dos compromissos. No mundo, 408 cidades são reconhecidas como criativas pela Unesco e alcança mais de 100 países. A pequena Óbidos (2015) em Portugal e o Rio de Janeiro são as únicas cidades criativas – literatura – de língua portuguesa. No Brasil, a Rede de Cidades Criativas reúne 15 delas.
Ao serem reconhecidas como cidades criativas se gera uma cadeia favorável à imagem citadina, pois, impacta positivamente os aspectos culturais e sociais. Tem – se também as vantagens econômicas: aumento do turismo, afinal, o local passa a ser uma referência; fomentam-se os processos criativos e a busca pela preservação patrimonial. O ganho é coletivo. Projeta-se um conceito afirmativo da cidade e da população.
E Ilhéus reúne vários elementos favoráveis ao seu reconhecimento como uma cidade literária no âmbito da Unesco. Ela tem as vivências de escritores como Jorge Amado, Adonias Filho, Sosígenes Costa, Janete Badaró, Gumercindo Rocha Dórea e Elvira Foeppel, que moraram na cidade e parte de suas obras reflete sobre os modos, a beleza e os desafios da Capital da Rota do Cacau; é também a razão de tantos outros escritores: Cyro de Matos, Aleilton Fonseca, Pawlo Cidade, Luh Oliveira e Cátia Hugles, referências da atualidade. A Academia de Letras de Ilhéus é um espaço que reúne uma plêiade de escritores desde 1959 e a UESC cumpre um papel fundamental de estudos literários. As ruas, casas e bares como Vesúvio e Bataclan, consagrados na literatura amadiana, são espaços da literatura e formam ambientes vivos – um convite aberto a todos os visitantes.
Efson Lima
Doutor em Direito/Ufba. Membro das Academia de Letras de Ilhéus e da Academia Grapiúna de Artes e Letras









