Notícia

Devaneio Crepuscular

PLINIO DE ALMEIDA

Para Ruy Póvoas, com extrema e leal admiração.

Horas oblongas,

Nas terras longas,

Cheias de gritos

De arapongas,

Caem das alturas

Em formas oblongas:

Vão-se formando,

Multiplicado,

Formando noites

Longas, bem longas,

Já sem o grito

Das arapongas…

Nas horas longas,

Compridas, oblongas,

Cheias de gritos

De arapongas,

Nas tardes mansas,

Roxos crepúsculos

A natureza

Nas horas longas

Sacode os músculos!

Nas tardes longas

As pernilongas

Garças reais,

Junto dos lagos

De formas oblongas,

Cismam, quietas,

Sob os afagos

Dos ventos longos,

Nas horas longas,

Nas noites densas,

Já sem os gritos

Das arapongas…

Horas oblongas,

Tristonhas, longas,

Das pernilongas

Garças reais

Recebem, agora

O casto brilho

Dos pirilampos

Celestiais

Plínio de Almeida (In memoriam)

Itabuna, 16/6/1972