Notícia

Itabuna, onde tudo começou.  Jabes Ribeiro*

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Há cidades que apenas fazem parte da nossa biografia. Outras ajudam a construir quem somos.

Para mim, Itabuna será sempre essa cidade.

Foi ali, nos primeiros quinze anos da minha vida, que comecei a descobrir o mundo.

Nos “babas” do barro vermelho no bairro da Conceição aprendi o valor da convivência. Na Escola General Osório, sob a orientação da professora Eurídice, nasceu o gosto pelos estudos. No Colégio Estadual, despertei para as questões sociais e políticas.

Ali surgiram os primeiros debates entre estudantes com ideias diferentes, mas unidos pelo respeito à democracia.

A praça Adami era a nossa ágora. Ali circulavam ideias, sonhos e esperanças.

Guardo na memória lideranças do movimento estudantil secundarista,  como Jairo Muniz, Adervan, Carlos Sodré, Eduardo Anunciação e tantos outros que marcaram a juventude dos anos 60.

Nos períodos eleitorais, os comícios reuniam multidões movidas pela força da palavra. Lideranças como José de Almeida Alcântara, davam vida ao debate político de uma época em que as praças eram ocupadas por cidadãos, e não por espetáculos.

Aos 16 anos, mudei-me com a minha família para Ilhéus. Costumo dizer que se Itabuna me deu os alicerces da minha formação, Ilhéus deu régua e compasso à minha caminhada.

É por isso que, ao celebrar os 116 anos de Itabuna, o sentimento é, acima de tudo, de gratidão. gratidão à cidade que ajudou a formar tantas gerações e que, vive na memória e na vida de todos aqueles que começaram a construí seus sonhos em suas ruas.

Parabéns, Itabuna!

*Membro da cadeira 8 da Academia de Letras de Ilhéus.