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O Fenômeno Político-Religioso e a Ascensão do “Algoritmo Bíblia”

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O cenário político brasileiro contemporâneo revela uma reconfiguração profunda na qual o espaço público é colonizado também por símbolos religiosos, onde a transição de templos para comitês partidários e a consolidação de figuras como o Pastor Isidório na Bahia — cuja trajetória se destaca de forma positiva pela genuína dedicação ao trabalho social de acolhimento aos marginalizados, dependentes químicos e necessitados através da Fundação Dr. Jesus, embora inserida em um contexto onde a iconografia do Cristo e da Bíblia passa a operar com alta eficácia política, evidenciam novas dinâmicas de poder.

Quando apontamos que o “algoritmo bíblia” se expande em detrimento dos valores científicos e filosóficos, tocamos em uma ferida aberta da modernidade, contudo, mais do que um “retorno medieval”, assistimos a um sincretismo perverso: a tecnologia mais avançada do capitalismo de vigilância a serviço de uma narrativa teológica fundamentalista. Estritamente falando, não se trata de um retorno ao feudalismo medieval, mas sim de uma mutação do presente; se o medievo original era marcado pela centralidade institucional da Igreja Católica, pelo teocentrismo cosmológico e por uma economia agrária e estamental, o neomedievismo contemporâneo é um produto hipermoderno que utiliza as redes sociais, a inteligência artificial e a lógica de mercado para instrumentalizar a fé, fazendo com que a formação da consciência cidadã sofra um revés analítico onde o pensamento crítico, científico e filosófico — que exige dúvida metódica, complexidade e evidências empíricas — perde espaço para narrativas dogmáticas, binárias e emocionais, transformando o cidadão em um fiel convocado a uma cruzada eleitoral. Nesse ecossistema, a corrupção latente e o capital não apenas influenciam, mas estruturam o resultado eleitoral, seja através do financiamento da fé em grandes estruturas religiosas que funcionam como formidáveis máquinas de captação e mobilização de bases, seja pelo apoio do capital político-religioso que busca a obediência moral e o sentido de pertencimento comunitário que o dinheiro puro não compra, culminando em uma corrupção sistêmica onde a mercantilização do sagrado se traduz em votos trocados por emendas parlamentares e imunidades blindadas sob o manto da bancada da fé. É exatamente diante dessa treva dogmática que se faz urgente convocar o papel histórico da Maçonaria e o resgate do espírito iluminista da razão, da laicidade e da livre-pensância, atuando como um bastião secular na reconstrução da consciência cidadã contra o obscurantismo vigente. É na confluência desse despertar racional que a Filosofia Quálica surge como uma ferramenta de denúncia contundente ao expor o tripé dominante da geopolítica global — o sistema bélico que alimenta conflitos e medo, o sistema financeiro que subjugja Estados e cidadãos, e o sistema das Big Techs que monopoliza a atenção e os dados para moldar comportamentos e impulsionar o extremismo —, atuando não apenas como um antídoto de consciência que desmascara a manipulação do imaginário religioso, mas contribuindo para a democracia ao oferecer alfabetização geopolítica e crítica para que resistências compreendam que a opressão moral e religiosa é a engrenagem do mesmo monstro global.

Gel Varella – Educador se educando.